Faço filmes porque gosto de pessoas, gosto de saber o que fazem, o que fizeram, sou curioso e cusco por natureza, gosto quando cantam mal e quando se riem... Não sacralizo os velhos, trato todas as pessoas por igual... E quero fazer filmes também sobre os que vivem na cidade e não só sobre a "nossa gente", referindo-nos à tradição oral... Quero contar histórias do futuro e quero falar sobre as moléculas da água que conseguem reter o conhecimento, a sabedoria... Quero ver os rios como software liquido, cheios de histórias da história e de pessoas... O futuro será beber um filme num copo de vinho, por enquanto o meu presente é o rio mondego, cheio de narrativas.... Os rios são de facto de gente, mas são mais que isso ... por tudo isto decidi mudar o nome do meu filme sobre o rio Mondego de "Rio de gente" para "Mondego - Software Liquido".
O Parque Patrimonial do Mondego convidou me a faze-lo e durante um mês e meio, recolhemos, procurámos filmes antigos, fotografias, documentos, fomos a mais de 20 localidades, entrevistámos mais de 50 pessoas, tivemos o apoio da Escola Superior de Educação de Coimbra, subimos à serra, fomos às salinas na figueira... Conseguimos os filmes do José Madeira, com imagens dos arrozais e do mondeguinho há 40 anos...etc, etc e etc... E os apoios não vieram... Um filme orçamentado em muitos euros acabou por ficar a menos de metade...Com muito esforço pessoal do produtor ; APD-PPM, Asssociação de Projecto e Desenvolvimento do Parque Patrimonial do Mondego, e do Realizador. Para nós o software tinha bugs...
Mas acabou por ficar uma amostra de 8 minutos, um esboço do que poderá ser um documento tão importante como este; a história de um rio feito de pessoas, que lá viveram e trabalharam durante anos; ... Mondego - Software Liquido...
Mondego - Software Liquido from Tiago Pereira on Vimeo.
As filmagens do presente filme tiveram início no dia 8 de Julho de 2008. Até à presente data foram efectuadas as seguintes recolhas:
Junta de Freguesia da Almedina
D. Belmira – Lavadeira
Ribeira de Frades
D. Conceição Alves – Trabalhava nos campos de milho e ainda ajudava o marido com a barca
Santa Clara
Sr. Fernando Reis (Ninito) – contou histórias ligadas ao rio;
Figueira da Foz (Salinas)
Sr. Manuel de Oliveira – Quintaneiro
Sr. Olípio – proprietário de umas salinas (herdadas do pai)
Meas
D. Maria da Encarnação Lopes – trabalhou nos campos de arroz
D. Guilhermina - trabalhou nos campos de arroz
Ereira
Sr. José Couto – Pescador
Caneiro
Sr. Reis – barqueiro
D. Nazaré Reis – Lavadeira
D. Iva – Lavadeira
Rebordosa
Sr. Nelson – Barqueiro
Sr. Maximino Padilha de Oliveira – Barqueiro (Tinha uma barca e um barco de carga)
Ferradosa
Sr. Júlio dos Santos Diniz (Ti Júlio Miáu) – Carefete
Ponte de Penacova
Sr. Alípio Pinéu – Barqueiro (teve uma barca)
Sr. Jaime Ferreira - Pescador
Sr. Américo – Moleiro (herdou o moinho do pai)
D. Maria da Lé – Lavadeira
D. Beatriz Jesus de Almeida – Lavadeira
Pereira do Campo
Grupo de Gaiteiros “Os Amigos” de Arzila (nomes a fornecer posteriormente)
D. Maria da Conceição – Lavadeira
D. Carmo Loureiro Medina – Lavadeira
Santo Varão
D. Ascensão – Lavadeira
D. Adelaide – Lavadeira
D. Maria de Lurdes - Lavadeira
Ceira
Recriação da Barrela – Rancho Folclórico de Ceira (os nomes dos participantes serão fornecidos posteriormente)
D. Preciosa – Lavadeira
Sr. António (Boiça) – Moleiro (ainda tem o moinho, o qual é explorado pelo filho); toca violino no Rancho de Ceira
Carregal do Sal (Ponte de Correlos)
D. Maria Arlinda de Jesus e Sr. Manuel Pinto da Silva – Casal que vivia junto ao rio; trabalhavam na agricultura (culturas de regadio)
Coimbra
Dr. Lousã Henriques
Tentúgal
Sr. José Craveiro – Contador de histórias
Arzila
Sr. José Torres – Construtor de barcos; agricultura de regadio na Paúl; pesca
D. Maria dos Santos Oliveira (Agante) – artesã de esteiras; apanha do arroz
D. Maria dos Santos Oliveira – artesã de esteiras; apanha do arroz
D. Conceição Oliveira – artesã de esteiras; apanha do arroz
D. Joaquina Lourenço – artesã de esteiras; apanha do arroz
Caldas de Felgueira
Sr. Raul Fernandes Lopes – Pais viveram na antiga Quinta da Barca
Felgueira Antiga
D. Rosa e D. Lurdes das Dores (mãe e filha) – agricultura
Maçainha
Sr. Franscisco João – proprietário de uma fábrica de cobertores de Papa
Sr. José Pires Pereira – proprietário de uma fábrica de lã
Fernão Joanes
Ti Zé Camilo – Pastor
D. Teresa da Fonseca Bico – trabalhou na agricultura e com o rebanho (Prima do Ti Zé)
Para além do mencionado foram realizadas filmagens em Super 8 do Rio Mondego na zona de Penacova, Carregal do Sal, Caldas de Felgueiras e Celorico da Beira.
Fundamental também será dizer, que temos na nossa posse diversos filmes antigos do Mondego, nomedamente:
• Os filmes “Arroz Negro” (premiado nacional e internacionalmente, ao nível do cinema amador) e “Nasce uma Fonte” de José Maria Pereira Madeira, entre outros relacionados com as tradições do Mondego, da década de 70. Estes filmes foram cedidos a título de empréstimo pela Sra. D. Maria de Fátima Madeira, filha do realizador, mediante autorização por escrito.
• Filmes sobre as cheias do Mondego, dos finais da década de 40.
Adicionalmente, foram efectuados diversos contactos de modo a viabilizar a realização deste filme, tais como:
Sr. Horácio Santiago – Presidente do Rancho Folclórico de Ceira
Sr. Armando Batista – Presidente da Casa do Povo de Ceira
Dr. Pedro Salvado (Castelo Branco) – autor de um livro sobre a Transumância
Dr. Alexandre Ramirez – fotografia e vídeo
Centro de Estudos 25 de Abril
GEFAC - Grupo Etnográfico e Folclórico da Associação Académica de Coimbra
Ateneu de Coimbra
Diário de Coimbra
Diversas casas de fotografia da Baixa de Coimbra
Dr. Manuel Rocha – Professor do Conservatório de Música de Coimbra, membro da “Brigada Victor Jara”
Saturday, August 23, 2008
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1 comments:
disseste-me uma vez que todas as pessoas são uma estrela e merecem brilhar. e tu vais aos locais mais escondidos procurá-las. monstro das recolhas-nauta, vais descobrindo essas estrelas que, apesar de diversas, têm em comum o facto de serem um tesouro precioso por desvendar. são histórias díspares que se fundem numa só. são muitas vidas (umas que ainda agora começaram, outras que em breve se perderão) que se cruzam e se assemelham. são imagens e sons que marcam o fim e o começo de ciclos e os vão ritmando. e se não fossem estes registos, os caminhos do passado e os do futuro seriam muito mais áridos. é agora, no presente, que se pode evitar que os seus laços se percam. há tanto para ver, ouvir, conhecer e explorar! por mais contrariedades que surjam, este é um resgate sempre urgente que tem de ser feito. espero que este esboço se venha a tornar um projecto completo.. o software líquido ainda contém muitas moléculas que precisam de ser partilhadas!
mariana miopia
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